
As quintas-feiras nunca foram aguardadas, nem muito menos prediletas por mim.
Saio de casa atrasado, naqueles dias que nada se concretiza, que nada é inteiro.
Meu andar é rápido, eu estou cego.
Chego numa sala, alguns amigos e de repende você.
Você que não conheço, um desconhecido sorrindo.
Mas que ao mesmo tempo me conhecia, eu senti isso ... E queria isso.
Atrevo-me a falar, mostrar que não sou de Marte nem tão pouco de Vênus.
Que sou filho do AQUI e aguardo um amigo o AGORA.
As palavras ditas mesmo que ainda sem saber ao certo se foram ouvidas, rolavam como dados no jogo chamado "descoberta".
Ambos curiosos, ambos desbravadores de si a procura do mesmo, a procura de um VOCÊ que pode ser MEU , ou ser EU.
Start: Começa o propósito, o ilusionismo, agora é hora de brincar.
Senti meu lado direito preenchido e naquele momento eu não estava sozinho.
E de repende mãos são dadas com leve aperto, e a minha querendo receber você por digitais, suor e pulsação.
E assim os minutos passavam entre olhares, com sorrisos permitidos, porém nem sempre ao mesmo tempo.
E às vezes esses olhares se enganavam, caminhavam por labirintos pra não deixar claro aonde quer chegar, para não declarar um cheque-mate de emoções.
E ao passar do tempo, é tudo simples, tão natural que pela razão deveríamos bloquear ou no mínimo fingir que nada acontecia.
E a língua não cabe na boca, tão pouco a imaginação cabe no descobrir.
E por pensamentos agente destranca o peito, e existe um possível, um tangível, que mesmo ainda não explorado, pode acontecer.
Intervalo: Rock’n’Roll.
Mesmo que por cinco minutos, mesmo sem saber quem canta ou o que canta, queremos correr, dançar ou fugir, nós queremos.
Escadas e andares nos separam, e no meio do povo eu volto a ser cego e sozinho.
O som é bom mas não existe dança, a não ser a da alma, mas a minha alma não queria naquele instante dançar sozinha.
Voltar ao batente: Recomeça o ofício.
Na verdade meu único ofício naquele momento era o de te interpretar, conhecer e analisar.
E o propósito da quinta-feira já estava em 2° plano, por que o 1° estava do meu lado direito e com celular na mão.
Às vezes dedos se encostavam, e logo “um desculpa” ou “ foi sem querer” sai fingido quase que mecânico, porque pelo o corpo e energia,estaríamos permitidos a nos conhecer sendo com palavras ou não , com saliva ou não, mas com o corpo e o desejo de conhecer.
Fim: Acabou-se a brincadeira.
Arrisco um “tchau” meio que desesperado, meio que a espera de convite, meio que a espera de você.
Mas não surtiu efeito, a não ser o seu olhar no elevador.
Volto ao fim da quinta-feira.
Sem ao certo saber se foi real, ou se realmente havia acontecido do jeito que imagino.
A certeza é que a vida é feita disso, de encontros e desencontros.
E a certeza é, conheça !
Eu sei que se você me conhecer, se me fatiar, se me "decoupar", vai gostar.
Porque eu sou um bolo, tão delicioso quanto surpreendente.
E se você está perdido, posso ser seu caminho, posso ser um guia de uma viajem que nem mesmo sei se começa e onde termina.
Basta seguir, desinibir e cooperar.
E se você esta inerte , eu posso ser a gravidade.
Porque sou feito de energia e tenho ecos, vibrações.
A partida foi dada e o agora não basta, porque devemos nos conhecer!
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