terça-feira, 22 de junho de 2010

Devaneios de mim .



Eu me perdi,
Por entre fumaças e carnavais eu me perdi.
Escolhi fantasias e máscaras ...
Dancei valsa negra num castelo antigo, com cores cinza
Me perdi no banquete de mim,na mesa do rei, no jogo de talheres de prata eu me perdi.
Comi utopia ao invés de carne.
Bebi os sonhos imperiais ao invés do melhor vinho que serviam.
E me entorpeci, dancei com o Bôbo da Corte, e fui expulso do sonho.
Me perdi em quantidade, em conteúdo.
Por entre camadas, vísceras e sangue eu me perdi.
Por entre florestas, neblinas e mistérios.
E na lamúria da neve e do frio eu vi coisas e ouvi sons,
Conheci monstros e tentei fugir deles ...
E na fuga rasguei minha roupa, perdi moedas, perdi pensamentos.
Eu me perdi em tormentos, em gritos verde musgo e acordei.
Ainda meio que perdido, ainda meio que antigo, ainda meio que querido, acordei perdido.
Por entre quartos, ventos e quadros.
Por entre escadas, praias e rumores eu me perdi.
Me perdi em sabores, cheiros e cores.
Na amargosa da minha alma que amargou o meu viver.
Me perdi na cama fria, na escrivaninha, na sala vazia.
Andei milhas, com pés descalços e com ombros largos.
Me perdi por afagos e falsas carícias,
Me perdi ouvindo vozes e sussurros mortais,
Me perdi nos apertos de mão, silenciosos e sem muito a dizer.
Nos olhares de amigos, de conteúdo vazio, nos reflexos mesquinhos de cada um que me notou.
Me perdi nos desejos de terceiros, que nunca foram meus e nunca serão de ninguém.
Me perdi em aplausos, em vibração fulgaz.
Me perdi nos palcos, nos corredores da vida.
Me perdi como baratas no ralo, e ratos no porão,
Eu me perdi.
Perdi ao tentar solucionar, ao beber um licor.
Me perdi quando olhei janelas, e fotografei o eterno.
Ao me separar, ao sair da realidade eu me perdi.
Me perdi em órbitas lunares, nucleares e afetivas.
Me perdi na rua de pedras, escura e fria a caça de lobos ...
Lobos famintos de mim, famintos da minha pureza .
Lobos que dilaceraram minha alma, que pinotearam a minha morada, minha carne podre dada por ancestrais.
Me perdi na caça de um assassino, querendo ser vítima, querendo morrer.
Querendo padecer de sofrimento para Dalí resplandecer de entusiasmo da quase-morte ou da quase-vida.
Eu me perdi nos piores pensamentos, nos devaneios de mim.
Me perdi na sujeira do mundo, no fundo do fundo.
No meu EU que não foi poético, que não foi correto, que não teve razão.
Me perdi na busca da felicidade, no sarcasmo de quem me observava.
Me perdi em dentes, no sorriso alheio,
Me perdi ao tentar achar a minha sobra, o que ainda me fazia pulsar ...
Me perdi ao tentar morder meu próprio coração como a maça que Eva mordeu.
Cheia de curiosidade, cheia de luxúria e vontade.
Me perdi na dobradiça maciça que sustenta meu corpo e minha alma.
E agora estou com sobras de mim e ainda perdido como jamais estive antes.


(Felipe Monda. Todos os direitos reservados ao autor)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Efêmero espelho .




A vaidade escorre por entre os dedos.
E no espelho o sangue escorre por entre os estilhaços, com a sua imagem destroçada.
Há partes de você por todo o chão da casa.
Quem é você agora ?
Juntando os pedaços, tentando reconstruir.
A imagem se perdeu enfim, sua prisão se desfez, diga amém.
Diga, vai.
Voce está livre para sorrir, sentir, e ser quem sempre quis.
Sua imagem já não existe agora.
Você é apenas o ser que quiser, pois ninguém espera mais nada de você, e esse não esperar, pode ser a melhor coisa que exista.
Sinta.
Não há restrição dos seus limites, já não existe aquele espaço retângular onde o reflexo te prendia a ser eternamente o ser inorgânico, produzido, previsível e condenado.

Agora você é real ...
E acredite, não existe PERFEIÇÃO .


" Quase ninguém sobrevive muito tempo na VAIDADE . "

domingo, 13 de junho de 2010

É este o dia !




Eu não sei se é muito tarde ...
Quero desafiar a comodidade, não me serve mais fingir.

Eu não sei quanto efêmero é o seu erro, mas já te perdoei.
Adiante os ponteiros do seu relógio pois eu não tenho todo tempo do mundo.

Minha lágrima secou, se afastou com o temporal.
E batendo como o sol meu coração não tem idade ...
Mas tenho que esperar ?!

Este dia é especial .
Quero acreditar em outra oportunidade.
Dei um salto mortal e me lancei no ar.
E hoje volto a ver um farol na escuridão.

Já não estou tão confuso como ontem ...
É é tão fácil cair .
Só a ilusão traz desilusões, e eu escolhi viver.

O mundo em que acreditei agora não faz sentido ...
Tão eterno e agora é fugaz .
Prefiro dar fim a ele .
Ainda que me oculte a verdade mais vulnerável.

Hoje é um dia especial !
Porque eu vou acreditar ...
Me lancei aos ventos e voltei a enxergar !
E estou aqui, fervendo como o sol ...
Meu coração não tem idade !

sábado, 12 de junho de 2010

Quinta-feira .



As quintas-feiras nunca foram aguardadas, nem muito menos prediletas por mim.
Saio de casa atrasado, naqueles dias que nada se concretiza, que nada é inteiro.
Meu andar é rápido, eu estou cego.
Chego numa sala, alguns amigos e de repende você.
Você que não conheço, um desconhecido sorrindo.
Mas que ao mesmo tempo me conhecia, eu senti isso ... E queria isso.
Atrevo-me a falar, mostrar que não sou de Marte nem tão pouco de Vênus.
Que sou filho do AQUI e aguardo um amigo o AGORA.
As palavras ditas mesmo que ainda sem saber ao certo se foram ouvidas, rolavam como dados no jogo chamado "descoberta".
Ambos curiosos, ambos desbravadores de si a procura do mesmo, a procura de um VOCÊ que pode ser MEU , ou ser EU.

Start: Começa o propósito, o ilusionismo, agora é hora de brincar.
Senti meu lado direito preenchido e naquele momento eu não estava sozinho.
E de repende mãos são dadas com leve aperto, e a minha querendo receber você por digitais, suor e pulsação.
E assim os minutos passavam entre olhares, com sorrisos permitidos, porém nem sempre ao mesmo tempo.
E às vezes esses olhares se enganavam, caminhavam por labirintos pra não deixar claro aonde quer chegar, para não declarar um cheque-mate de emoções.
E ao passar do tempo, é tudo simples, tão natural que pela razão deveríamos bloquear ou no mínimo fingir que nada acontecia.
E a língua não cabe na boca, tão pouco a imaginação cabe no descobrir.
E por pensamentos agente destranca o peito, e existe um possível, um tangível, que mesmo ainda não explorado, pode acontecer.

Intervalo: Rock’n’Roll.
Mesmo que por cinco minutos, mesmo sem saber quem canta ou o que canta, queremos correr, dançar ou fugir, nós queremos.
Escadas e andares nos separam, e no meio do povo eu volto a ser cego e sozinho.
O som é bom mas não existe dança, a não ser a da alma, mas a minha alma não queria naquele instante dançar sozinha.

Voltar ao batente: Recomeça o ofício.
Na verdade meu único ofício naquele momento era o de te interpretar, conhecer e analisar.
E o propósito da quinta-feira já estava em 2° plano, por que o 1° estava do meu lado direito e com celular na mão.
Às vezes dedos se encostavam, e logo “um desculpa” ou “ foi sem querer” sai fingido quase que mecânico, porque pelo o corpo e energia,estaríamos permitidos a nos conhecer sendo com palavras ou não , com saliva ou não, mas com o corpo e o desejo de conhecer.

Fim: Acabou-se a brincadeira.
Arrisco um “tchau” meio que desesperado, meio que a espera de convite, meio que a espera de você.
Mas não surtiu efeito, a não ser o seu olhar no elevador.
Volto ao fim da quinta-feira.
Sem ao certo saber se foi real, ou se realmente havia acontecido do jeito que imagino.
A certeza é que a vida é feita disso, de encontros e desencontros.
E a certeza é, conheça !

Eu sei que se você me conhecer, se me fatiar, se me "decoupar", vai gostar.
Porque eu sou um bolo, tão delicioso quanto surpreendente.
E se você está perdido, posso ser seu caminho, posso ser um guia de uma viajem que nem mesmo sei se começa e onde termina.
Basta seguir, desinibir e cooperar.
E se você esta inerte , eu posso ser a gravidade.
Porque sou feito de energia e tenho ecos, vibrações.

A partida foi dada e o agora não basta, porque devemos nos conhecer!

Aos inferiores ...



Se recomponha ... Olhe-se no espelho e controle o veneno !

Você pode até me desejar mal, mas tenha certeza que não passará de um desejo ...
Tenho alma cristalina !
Seus sentimentos podem passar por ela direto ...
Ou simplesmente refletirem e voltarem com maior força de luz para você !
Hahahahaaaaah'
(confesso estar de mal humor, e um pouquinho ácido)
E se caso você "querido amiguinho" continuar com esses seus pensamentos (desejando o mal alheio)

ÔRÊÊÊMOOOOOS ,

Ooooh Paaai ... (tributo a Henri Cristo hahahahahahaaaa)
Que o Senhor quebre as pernas do inimigo para que ele não possa me alcançar ...
Que o Senhor corte as mãos dele para que ele não possa me tocar ...
Que o Senhor fure os olhos dele para que ele não possa me ver ...
E que definitivamente o Senhor decepe a cabeça dele para que ele nem pense em mim ...

AMÉÉÉÉÉM ...

Pronto, ACORDEI, de café da manhã tomado e humor ácido .

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Portas abertas .




Não deixe portas entreabertas .
Escancare-as !
Ou bata-as de vez .
Pelos vãos ,
Por brechas e fendas ,
Passam apenas semiventos ,
Meias verdades .
E muita insensatez ...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Moinho vivo .



Existe em mim uma necessidade .
Que se faz funcional, primitiva e visceral :
O que levarei dessa vida ?
Qual o valor desse aprendizado ?
O que será, ou quanto tempo ainda resta ?
As respostas que anseio, não serão dadas .

Porque meu moinho de perguntas afoga as poucas respostas que existem .

Então será assim .
Esse é o meu compromisso : questionar, ver, analisar, perguntar .
Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas dentro de nós .
Umas porque nos dedicaram um carinho enorme, outras porque foram objetos do nosso amor, ainda outras por terem nos magoado profundamente .
Quem sabe haverá algumas que deixarão marcas profundas por terem passado tão rapidamente em nossas vidas e, ainda assim, conseguiram plantar dentro de nós tanta coisa boa .
Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos, a quantidade de marcas que conseguimos carregar conosco, e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si . Bem lá na frente, poderemos avaliar do que exatamente a nossa vida foi feita ...
Se de amor ou de rancor .
Se de alegrias ou de tristezas .
Se de vitórias ou de derrotas .
Se de ilusões ou de realidade .

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Elogio não custa nada .



Realmente, tem hora que fica difícil !
O ser humano complica as coisas, ou se cala diante do óbvio, mistificando o que é simples.

As pessoas tendem a deixar de elogiar as pessoas bonitas, inteligentes ou talentosas por medo de serem repetitivas ou por medo de egos grandes demais.
Pode até ser compreensível.
O problema é que todo mundo pensa isso ao mesmo tempo e pessoas bonitas, inteligentes e talentosas, muitas vezes, passam a vida inteira sem ouvir nada.
E isso é triste, lamentável.

Mas para os que se calam diante de tal circunstância, só resta pensar que é "despeito", a famosa "dor de cotovelo" , ou seja INVEJA . ( prontofalei ! )