sábado, 24 de abril de 2010

Cartas que não enviei .

Então, andei um pouquinho distante do blog.
Sem tempo para escrever ou decifrar o meu cotidiano.




Tive dias corridos, naquela tentativa de concretização, que nunca chega em seu estado final.
E foi nisso, nessa energia de organizar, procurar, achar e fazer que comecei a mexer em memórias, ou melhor, vasculhei gavetas, desentupi pastas, amassei papéis, rasguei plásticos, destravei lembranças e libertei emoções .
Disso surgiram lembranças esquecidas, outras guardadas, e aquelas que mesmo quando tentamos esquecer continuam escritas, continuaram em seu devido lugar.
Foi assim que abri antigas agendas, com anotações do colegial, bilhetinhos de amigos e cartas.
Disso, deste bolo de lembranças em papéis, descobri cartas e anotações minhas, alívios escritos.
E muitas delas eu não enviei, eu não compartilhei com quem deveria.
Talvez egoísmo, talvez timidez, talvez imaturidade, ou talvez porque só eram cartas ...
E pensando nisso bate a nostalgia, o questionamento, o famoso “ SE ” ( se eu tivesse mandando essas cartas, se tivesse falado isso, se tivesse feito aquilo)
Mas pensar nisso é tortura e a AÇÃO já passou.
E o que restou foram cartas, pedaço de papel escrito, pedaços de ansiedades, frustrações, tentativas, sensações, palavras não ditas, ações interrompidas, pedaços de amor.
Que por muito tempo fiz questão de guardar dentro de gavetas, no escuro do armário, no fundo de mim.
E depois dessa panorâmica de revelações e lembranças, eu li uma por uma.
Ri, pensei, me emocionei, senti repulsa, chorei, gargalhei do ridículo e me orgulhei de mim.
E decido aqui não só falar delas, como digitá-las, não querendo revive-las ou redimi-las, mas sim mostrá-las, apenas compartilhando um pouco do conteúdo que é foi meu ... E será meu.
E não me levem a mal, porque são apenas cartas que não enviei.


( Então a partir desta postagem, estarei postando algumas cartas não enviadas,de diversos momentos e datas, de diversas ações e reações )


Carta I



Dias Solitários

Os dias demoram a passar, as horas não sentem pressa em passar, a semana tarda a passar, tudo não passa, mas sigilosamente me assusta por não passar.
Os dias não são mais os mesmos, minha vida é ignorada, agora nada vale a pena, viver sem você não tem graça, existe em minha volta amizades e risos ...
Sinto o cheiro de falsidade no ar, ar pesado, sufocante, vida miúda, vida vazia, sem objetivo, sem meta, sem amor.
Amor ignorado, passado pra trás, amor de pura ilusão, linda ilusão que me fazia sorrir, sorrir ...
É o que eu não faço há um bom tempo, é esse tempo que tanto me machuca, que tanto fere meu coração .
Meu coração se fechou, virou pedra, estou solidificado, minha alma pede necessitadamente que me recupere ...
Mas me recuperar de que ? Se eu nem sei ao certo ...
Talvez seja dos tropeções que a vida nos prepara.
Meu olhar sem emoção se extravia pela beleza presente aqui.
A felicidade passa longe de mim, agora vejo que as amizades que eu confiava se “desmoronaram” com uma falsidade medíocre e hipócrita.
E agora o que faço ?
Grito ?! Choro ?!
Penso nos momentos que perdi, das horas que nem liguei para o que acontecia, e agora estou aqui, meio morto, meio vivo,gelado, sozinho, jogado em meu canto ...
Esperando uma chamada, um telefonema, uma chance ...
Momentos felizes passam na minha mente como um filme na tela dos cinemas.
Saudades,
Apenas isso,
Saudades de você.
É o que sinto por você.
Saudades ...

( 28 de Outubro de 2005 )


Carta II




Cada Instante

A cada instante, perco as palavras, entro em crise ...
Fico confuso, eu não te dei valor.
Mas você queria ou merecia ?
Você me amou ?
Porque você não me amou ?
Eu sou tão amável, e você não repara isso.
Não te dei importância ?
Eu confio tanto em você.
Estou perdido.
Até hoje, não sei o porquê ...
Devo estar enganado ,ou você desistiu de mim ?!
Agora sei o quanto te queria.
Estou repetindo pra mim:
Eu não tenho mais você !
Eu não tenho ...
Eu me perdi de mim mesmo.
Sou meu pior inimigo, ou seu pior inimigo ?
Sou escravo de minhas próprias ilusões.
Não sei para onde ir ...
Desculpe-me !


( 23 de Novembro de 2005 )


Carta III


Só Você




Eu não sei dizer ,que amo você !
Não agüento o peso desse sentimento.
Coração explode, alma resplandece.
Meu corpo treme, minha mente se perde ...

Já perdi minha vida, já perdi meu coração ,
Meu corpo é seu, seu corpo é meu.
Somos um !
É só você ...

Só você,e é você o meu amor.
Não sei o que faço !
Eu sofro,as vezes choro.
Sinto saudades.
Quando falo e penso sobre tudo isso,
Acabo me arrependendo.

Esse amor me aprisiona.
Só você !
Minha essência se perde,sou nutrido de amor ,
Meu amor é nobre !
Não me leve a mal, tudo é doçura !
Pureza !

Sentimento leve ...
Não me odeie !
Tento não sentir tudo isso,
Tento não sentir saudades,
Tento não ter esperanças,

Mas é só você.


( 20 de Maio de 2006 )



Carta IV




Sem Você


Nada quis te dizer, mas você já sabe:
Que amo você !
Que sou teu amigo, teu amante, teu irmão.
E sempre na calada da noite pensarei em você,
Desejarei-te a cada insônia, sentirei você.
Em teu colo vivo um instante por vez.
Em teus olhos me vejo ...
Em tua boca eu me perco,
Tudo é perigo, tudo é pureza.
Do nosso amor os dias são feitos,
Você está em meu coração.
Coração amargurado quando não te vê,
Coração feliz, muito feliz pelo seu amor,
Por ter te conhecer, por ter te beijar, por te fazer feliz.
Estou indo dormir e nem assim te esqueço,
Fico ao lado da cama agarrado em pensamentos, em possibilidades.
Lembro dos bons momentos, que nunca voltam,
Dos dias felizes que passei com você,
Lembro das noites, em que ouvi tua voz.
Que eu congelo em minha mente,eu guardo tudo no meu coração.
Mas agora tudo me foge !
Oh Amor,
Com quem sonharei essa noite ? Com você ?
Espero que sim.
Agora tudo é domínio, tudo é amor.
Que escorre em palavras, salivas e memórias .
Estou obcecado, não paro de pensar em você !
Já estou sonhando ?!
Preciso de você ao meu lado.

( 09 de Abril de 2006 )



Carta V

Nossa distância



Mais uma noite de insônia ...
Simplesmente não consigo dormir, to pensando em você.
Pensando em tudo que você diz.
Estou sufocado com esse amor, que não para de crescer, hora alimentado com amor, e às vezes com raiva.
Idealizo mil coisas nos meus pensamentos ... Nem sei se vai acontecer.
Agora penso que tudo vai ser diferente ... Eu te amo tanto!
Me sinto tão feliz por te amar assim, com tanta intensidade, tão inocente e quase sem razão!
Mas numa fração de segundos sinto raiva ... Raiva de te amar, raiva de sentir algo tão inconstante por alguém, ou melhor, por você!
Sei que sou imaturo, mas eu tento, tento mudar o jogo!
Você é tudo para mim, sei que quando terminamos eu jurei que nunca mais olharia para você, além do mais você tinha feito muito mal para mim!
Me enganou, mentiu, não valorizou ...
Mas isso agora é passado.
E agora estou aqui com saudades de você!
O que achava que não sentiria mais.
Nem sei por que te beijei no carnaval ... Só pode ser destino, ou no mínimo euforia!
Eu te amo tanto, que às vezes nem sei falar sobre isso.
Isso toma conta da minha mente, desestrutura meu corpo.
Tem horas que esse amor explode em mim, me inflama, fico nervoso, confuso, descontrolado ... E me dá raiva.
Às vezes acabo te irritando, te deixando sem saber controlar essa situação, sem saber lidar comigo, mas sou assim ...
As vezes tenho medo de um repeteco do destino, de sofrer novamente.
Sou inconstante, grosso, doce, desconfiado, ciumento, e às vezes nem eu me entendo, mas tudo é porque te amo!
Tem horas que eu te amo tanto, que queria ser sua sombra, não sei se é o cúmulo do ciúme ou do amor.
Queria ser teu céu, teu mar, teu ar, teu alimento, ser teu corpo, ser teu abrigo eterno ...
O que me dá raiva não são seus erros, ou suas ausências, ou a distância entre agente.
Mas sim os momentos em que olho a minha volta e tudo está perfeito, porém bate um vazio: você não está ao meu lado!
Eu sofro com essa distância entre agente.
E tem situações do dia-a-dia que deixam bem claro isso.
Quando olho um casal na rua, bem juntinhos, bate um mix de raiva com um pouco de despeito, bate uma solidão, e é nessa hora que eu penso em terminar tudo, e vem uma frase na mente “eu não tenho que passar por isso”, me sinto no inferno por alguns instantes ... Mas vejo que nada disso adianta, porque sem você não tem graça ...
Eu te amo ... Nunca imaginei passar por tudo isso, ou que estaria escrevendo isso, por que é o que sinto, vivencio, é a minha realidade do hoje.
Te Amo .

( 22 de Abril de 2006 )

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