domingo, 1 de maio de 2011

Adiante .




De umas semanas para cá
Eu não ando bem, apenas caminho sem saber
Sem temer
Os anos passam, esse passar doe
Tem peso de milhares, de milhões de anos
Tanto eu quis um amor
Que desse querer doeu a alma e feriu meu coração
E o medo surgiu, e desse medo me fiz alguém
E esse medo me fez agir como um louco
Me perdendo de mim, quantas idiotices a pensar
Quanto amargo os desejos, quanto choro e desespero
Tantas vezes, com tesouras na mão
Correndo surdo e mudo, vivendo no limite
Sobrevivendo
Quando penso em tudo isso, vejo o quanto “oco” é o ser humano
E o aprendizado nunca mata
A força que tenho não me foi dada mais sim conquistada
Conquista feita com esmero, com sofrimento, passagens e cicatrizes
E um dia após o outro
A impaciência tomou conta de mim
Foi difícil a espera, foi difícil a conquista
Mas o desejo de mudança foi maior
E lapidou cada pedaço meu
Cada pensamento, cada atitude
Costurei casulos, moradas para o meu peito
E separei a mente, novamente
Razão e emoção estão separadas
Cada uma é dona de um cómodo meu
É melhor assim, vai ser assim
E quanto menos você pensa, mais as coisas mudam
Tomam o jeito que você quis
E de tanto somar, se perde a conta
Porque um + um nem sempre são dois
E entre “estar-não estando” é melhor ser 1
Mas a cada minuto dessa jornada eu chorei
Choro interno, cheio de ausência
Cheio de mim
Fui até extremo, fiz drama
Me lancei no abismo, fiz meu próprio abismo
Cavei buracos, me enterrei e desterrei os sentimentos
Achei que não conseguiria
De que não era possível voltar
Quando eu acreditei que era invencível essa jornada
Eu venci
Quando me dei conta do que fiz, sorri
Como jamais tinha feito, se é que eu me lembro de ter sorrido assim
Tão calmamente
Quando livrei de mim o peso da ansiedade
De querer prever as coisas
De tentar segurar o coração
Massacrando o que ainda nem era realidade
E tentando deixar o que era real, irreal
Parei de narrar os fatos, de racionalizar o que só era para sentir
Sentir, arrepiar e sorrir
É tão simples
Que eu não entendia o “porquê”
E sinceramente abandono o “por que”
Desde criança eu me pergunto “porque”
“Porquê” ? “porque” !
Então desde aqui te liberto “porque”
E vou viver bem sem ele
Agora eu levo comigo, só o sorriso
Sem armaduras, sem trejeitos
Vai ser desse jeito, não sendo nada
Nada de esperas, só vivências
Não há mal que dure cem anos
Nem corpo que aguente todo o veneno
Então não seja sempre o “forte”
Mas a cada tropeçar conquiste o equilíbrio e lute
E o melhor sempre espera adiante
Adiante, mas não se adiante

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Atirar em você .



Cabeça baixa
Enquanto eu vejo meus pés tocarem o chão
Eu deveria fugir
Me encontro apaixonado, correndo pelo mundo

E eu estou encharcado de amor
E o amor sempre esteve no meu caminho, mas não ao meu alcance
Pertenço a essa condição

Eu quero
Eu quero correr
Eu quero correr e me atirar em você
Atirar em você

Ouvidos fechados
O que eu ouço ninguém precisa saber
Pois eu sei que o que tenho
Merece primeiro lugar e vale ouro

E eu estou encharcado de amor
E vou lançar, saltar, entregar
Eu quero compartilhar isso

E quero você mais perto, sem medo
Sem distâncias, sem paredes, sem roupas

Eu quero
Eu quero correr
Eu quero correr e me atirar em você
Atirar em você

Eu estou pronto para correr, pronto para você

Estou pronto para correr
Vou correr

Eu estou pronto para correr, e me atirar em você
Como uma bala de aço, cheia de sentimento, cheia de mim
E num tiro certeiro irei te ferir
Provocando um turbilhão de emoções no seu coração

sábado, 27 de novembro de 2010

Atrasei .

Olá à todos !
Por motivos pessoais, eu estive afastado do blog.
E isso é triste.
Porque é escrevendo que eu destranco meu peito e liberto minhas emoções.
Faltou tempo, conexão, paciência e poesia.
Mas com boas energias volto aqui.
E deixo um pouco de mim escrito, pensado e lido.


Andei




Eu andei,tentei, passei
Passei um tempo só
Tempo que nem o tempo mediu
Mudei o rumo, pensei
Por onde andei ? Aonde vou chegar ?
Ao tentar conversar comigo não obtive respostas
A não ser o silêncio que habitava o meu corpo
Corpo que caminhava, tentava e pensava
Que caminhada como essa eu nunca tinha feito
E a cada passo que dei tropecei
Um tropeço dolorido, mas sem perder a confiança
Sabendo que tal caminho não é de errar
E de repente caio
E de repente vejo a linha do horizonte
Que vai do meu ao seu olhar
E todo cinza se torna azul
E que nessa caminhada existe areia pra tocar
Existe afeto, olhar ... Existe MAR
E dos passos sozinhos, silenciosos e miúdos
Surgem pegadas a mais
Sorrisos a mais
Encontros a mais
Caminho a mais
Vida a mais
Existe VOCÊ
Existe o MAIS
E isso basta
E basta a caminhada que ontem era sozinha e hoje é acompanhada
Venha, caminhe
Eu vou te esperar
No mar, além mar
É no meu coração que você deve estar
E é esse o seu lugar
Eu não quero esperar, eu não posso fracassar
E o verbo que sempre penso é amar
E é essa ação que quero praticar

Além mar - Caminhar - AMAR

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Anjo seu.




Caminhe, seus pés são leves ...
Está na direção certa.
Continue, e não tenha medo: A chegada sou eu.
Você não acredita em anjos, então não acredita em mim.
Por muito tempo eu fui podado, com asas cortadas, com áurea apagada.
Quis ser mortal, quis ter sangue, ser ritmo, sentir pulsação, mas anjos são sublimes e a visceralidade do ser humano é só uma algema, só uma provação.
Hoje estou testado, sucumbido, dilacerado e regenerado da luxúria de ser mortal, de ser racional de ter moral.
Mas de agora em diante, eu tenho um propósito: ser teu anjo.
Te protegerei de tudo, menos do meu amor, esse é guerreiro e suas armas me vencem.
Eu sobrevoava a terra, já cansado sem muito a querer, sem muito a ter, e minhas asas já não batiam com tanta força porque meu coração estava calmo, sem o néctar dos deuses, sem a paixão que tanto assombra os humanos e de que tanto os anjos invejam.
Eis um vôo, uma descoberta: VOCÊ.
E minhas curtas asas se tornaram imensas, fortes, heróicas e se abriram pra te proteger.
Eu não faço parte do seu mundo, mas eu sou seu sonho, aposte nisso.
Não sei se é cedo ou tarde, não sei se é real a situação de ser um ser místico, algo além da sua crença, além da sua vida, além do seu miúdo ego humano.
Digamos que sou um anjo atrapalhado, sonhador e contraditório, mas ainda sim um anjo.
E você até antes só era um humano, e agora se torna o amor de um anjo, o zelo total, a preciosidade.
Caminhe, se esforce.
Ainda pode me encontrar no píer.
Espere por mim, eu vou chegar.
E quando eu não estiver, me chame, me grite, vá ao Olímpo se preciso for.
E se mesmo assim eu não der sinais, caminhe.
Porque além de você só o céu, e lá estarei, te zelando, resguardando, governando o que sentimos.
Não desista, porque agora anjos existem !
E este anjo é seu.
Prepare seu corpo, prepare sua alma, porque quanto eu te achar, irei costurar sua alma na minha, sua carne será minha.
E nossos sonhos serão nuvens, você será minha brisa e eu a sua bruma, e quando estivermos cansados de tanto zelo, de tanto amor, eu irei voar com você em meus braços ...
E com fios de cabelo, dna, irei tramar nosso ninho, nossa morada.
E se frio estiver, não se preocupe minhas asas límpidas e brancas irão te abraçar, te proteger e você será por um decreto eterno meu.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Devaneios de mim .



Eu me perdi,
Por entre fumaças e carnavais eu me perdi.
Escolhi fantasias e máscaras ...
Dancei valsa negra num castelo antigo, com cores cinza
Me perdi no banquete de mim,na mesa do rei, no jogo de talheres de prata eu me perdi.
Comi utopia ao invés de carne.
Bebi os sonhos imperiais ao invés do melhor vinho que serviam.
E me entorpeci, dancei com o Bôbo da Corte, e fui expulso do sonho.
Me perdi em quantidade, em conteúdo.
Por entre camadas, vísceras e sangue eu me perdi.
Por entre florestas, neblinas e mistérios.
E na lamúria da neve e do frio eu vi coisas e ouvi sons,
Conheci monstros e tentei fugir deles ...
E na fuga rasguei minha roupa, perdi moedas, perdi pensamentos.
Eu me perdi em tormentos, em gritos verde musgo e acordei.
Ainda meio que perdido, ainda meio que antigo, ainda meio que querido, acordei perdido.
Por entre quartos, ventos e quadros.
Por entre escadas, praias e rumores eu me perdi.
Me perdi em sabores, cheiros e cores.
Na amargosa da minha alma que amargou o meu viver.
Me perdi na cama fria, na escrivaninha, na sala vazia.
Andei milhas, com pés descalços e com ombros largos.
Me perdi por afagos e falsas carícias,
Me perdi ouvindo vozes e sussurros mortais,
Me perdi nos apertos de mão, silenciosos e sem muito a dizer.
Nos olhares de amigos, de conteúdo vazio, nos reflexos mesquinhos de cada um que me notou.
Me perdi nos desejos de terceiros, que nunca foram meus e nunca serão de ninguém.
Me perdi em aplausos, em vibração fulgaz.
Me perdi nos palcos, nos corredores da vida.
Me perdi como baratas no ralo, e ratos no porão,
Eu me perdi.
Perdi ao tentar solucionar, ao beber um licor.
Me perdi quando olhei janelas, e fotografei o eterno.
Ao me separar, ao sair da realidade eu me perdi.
Me perdi em órbitas lunares, nucleares e afetivas.
Me perdi na rua de pedras, escura e fria a caça de lobos ...
Lobos famintos de mim, famintos da minha pureza .
Lobos que dilaceraram minha alma, que pinotearam a minha morada, minha carne podre dada por ancestrais.
Me perdi na caça de um assassino, querendo ser vítima, querendo morrer.
Querendo padecer de sofrimento para Dalí resplandecer de entusiasmo da quase-morte ou da quase-vida.
Eu me perdi nos piores pensamentos, nos devaneios de mim.
Me perdi na sujeira do mundo, no fundo do fundo.
No meu EU que não foi poético, que não foi correto, que não teve razão.
Me perdi na busca da felicidade, no sarcasmo de quem me observava.
Me perdi em dentes, no sorriso alheio,
Me perdi ao tentar achar a minha sobra, o que ainda me fazia pulsar ...
Me perdi ao tentar morder meu próprio coração como a maça que Eva mordeu.
Cheia de curiosidade, cheia de luxúria e vontade.
Me perdi na dobradiça maciça que sustenta meu corpo e minha alma.
E agora estou com sobras de mim e ainda perdido como jamais estive antes.


(Felipe Monda. Todos os direitos reservados ao autor)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Efêmero espelho .




A vaidade escorre por entre os dedos.
E no espelho o sangue escorre por entre os estilhaços, com a sua imagem destroçada.
Há partes de você por todo o chão da casa.
Quem é você agora ?
Juntando os pedaços, tentando reconstruir.
A imagem se perdeu enfim, sua prisão se desfez, diga amém.
Diga, vai.
Voce está livre para sorrir, sentir, e ser quem sempre quis.
Sua imagem já não existe agora.
Você é apenas o ser que quiser, pois ninguém espera mais nada de você, e esse não esperar, pode ser a melhor coisa que exista.
Sinta.
Não há restrição dos seus limites, já não existe aquele espaço retângular onde o reflexo te prendia a ser eternamente o ser inorgânico, produzido, previsível e condenado.

Agora você é real ...
E acredite, não existe PERFEIÇÃO .


" Quase ninguém sobrevive muito tempo na VAIDADE . "

domingo, 13 de junho de 2010

É este o dia !




Eu não sei se é muito tarde ...
Quero desafiar a comodidade, não me serve mais fingir.

Eu não sei quanto efêmero é o seu erro, mas já te perdoei.
Adiante os ponteiros do seu relógio pois eu não tenho todo tempo do mundo.

Minha lágrima secou, se afastou com o temporal.
E batendo como o sol meu coração não tem idade ...
Mas tenho que esperar ?!

Este dia é especial .
Quero acreditar em outra oportunidade.
Dei um salto mortal e me lancei no ar.
E hoje volto a ver um farol na escuridão.

Já não estou tão confuso como ontem ...
É é tão fácil cair .
Só a ilusão traz desilusões, e eu escolhi viver.

O mundo em que acreditei agora não faz sentido ...
Tão eterno e agora é fugaz .
Prefiro dar fim a ele .
Ainda que me oculte a verdade mais vulnerável.

Hoje é um dia especial !
Porque eu vou acreditar ...
Me lancei aos ventos e voltei a enxergar !
E estou aqui, fervendo como o sol ...
Meu coração não tem idade !